"Coletivo: Kaos" tem o intuito de externar essa forma incessante de ir e vir coletiva e, ainda assim, individual aos olhos de cada um. Sensações que se movimentam pelos nossos olhos cotidianamente e que, muitas vezes sem percebermos, conseguem extrair uma quantidade absurda de histórias, ilustradas pela gritante quantidade de informações que envolvem os frequentadores de um caótico transporte público da grande - e nem um pouco humana - cidade de São Paulo.

Foto: Fábio Reoli
(Dentro do ônibus)
_ Pare um minuto, por favor?! Tem um pouco aí?
_Do que?
_De paz.
_Como assim, “tem um pouco aí?”
Desde quando paz é algo que se possa encontrar como um pedaço de chocolate?
_ A questão é justamente essa. Nós andamos por aí procurando coisas menos interessantes, tratamos de paz como se fosse um doce comum, que a qualquer momento podemos comprá-lo.
_ Eu não entendo, como poderia te dar paz? Como eu poderia fazer diferença em sua vida, ou em um momento dela que fosse?
_ Exatamente por isso que todos nós vivemos em guerra, sempre nos perguntamos de que forma poderíamos fazer diferença, como tornaríamos a vida de alguém melhor... Uma sucessão de perguntas, e nenhuma ação.
_ Mas é complicado demais ter responsabilidade sob a vida de outra pessoa!
_ Sim, é. E por acharmos complicado, tornamos a nossa vida mais difícil, fazemos tudo de acordo com a nossa necessidade. E não pensamos na vida que está ao nosso lado.
Sabemos onde podemos melhorar, podemos melhorar, mas é mais cômodo parar, e fechar os olhos... Calar-se, e simplesmente se acostumar com o momento em que vivemos... Alienados, é o que somos.
_ Puxa, eu sempre me achei tão esclarecido, tão antenado, nunca pensei que algum dia me fizessem tantas observações, e não tivesse respostas prontas. Tenho tudo que quero, e não seu por onde começar.
_Comece dentro da sua casa.
Dando a sua família paz, amor, dedicação e sinceridade.
Comece sentindo-se responsável por todos os sentimentos que você provoca, sejam eles de paz, de rancor, de amor...Todos.
_ Comece agradecendo a Deus por ter chegado em casa, em meio à uma guerra urbana, instalada todos os dias, ao redor do seu carro, do seu umbigo. E você não vê!
Comece se perguntando se realmente desejou: “BOM DIA”, ou apenas saiu como todos os outros... Repetitivos, e costumeiros... Apenas pra não parecer grosseiro.
Talvez você possa começar entregando algo ainda melhor do que o que tem recebido.
_ E agora, tem um pouco aí?
_ De paz? - De paz, acho que agora tem!
_Não. De amor?
_ Puxa, mas é muito difícil mesmo conviver com você?!
_ Como assim?
_ É que você nunca está feliz!
Achei que tinha entendido sua necessidade! E agora você me pergunta de amor!!!
Ando sem tempo pra isso, tenho tantas coisas pra fazer, tenho tantos problemas pra resolver, nem mesmo fiz minha barba pela manhã tamanha minha pressa... E lá vem você me falar de amor! Também pudera, o seu dia é longo. Nem sei por que parei pra te ouvir. Mas valeu já entendi sobre Paz, nem esperava que você me pedisse algo do tipo. Imaginei mesmo que você me pediria qualquer coisa menos isso... Agora amor? Ta pedindo demais, né?!!
_ Bem, achei que seria comum, por isso não pergunte antes.
Sim porque se você tem paz, é porque tem amor.
_Não necessariamente. Posso dar um Bom dia de verdade, posso agradecer a Deus pelo meu dia, posso sorrir ao chegar, e ao sair... Isso tudo não me custa nada. Agora amor, amor é muito além da minha imaginação nesse instante... Ando mesmo sem tempo pra pensar nessas coisas.
_ Ora, meu senhor... De nada adianta trazer seu sorriso estampado, seus joelhos dobrados, seus bons dias ensaiados, e não fazer a diferença.
Entendeu? Diferença, diferença...
_ Sim, porque nada disso é verdadeiramente possível sem amor. Sem ter de fato transparência, e tranqüilidade. Não podemos amar às pressas, não faz bem a quem recebe... Nem mesmo a quem dá. O amor é dado por inteiro.
Não faz parte de uma ou outra metade que você vai encaixando como se fosse um quebra-cabeça; Amor se dá de uma só vez, não vem em pedaços.
_ De uma vez por todas: Agora, tem um pouco aí?
Texto: Solange Cavalcante
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Escrito por F. Reoli às 13h29
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Se tudo faz lembrar você Vou te encontrar, tentar me aproximar Algo ficou para trás, meu vício é querer te ganhar Mas eu não vou deixar tudo se perder E ter você é o que me importa mais Tudo acontece entre nós Na chance que eu puder te levar Foi você que fez meu mundo desandar "E me perder ao te encontrar" Se conto as horas pra te convencer Que é você e não me importa mais ninguém Pra te ter vou mais além E nada vai tirar você de mim Mas se hoje insiste em não me atender Nem vou ligar Deixar tudo como está Mantém a distância entre nós Fugir é querer se enganar Que pra você eu não presto e não te deixo em paz Mas se ficarmos a sós a noite posso te completar quando a gente ama... e a conta da saudade, quem é que paga?
Texto: Andressa Kairalla
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Escrito por F. Reoli às 16h20
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Foto: Fábio Reoli
O monstro metálico perambula na urbanidade caótica de mais um dia comum. De suas narinas, a fumaça encardida mancha o céu da cidade cinzenta. Em sua barriga, transeuntes entram e saem. Caminhos diferentes, vidas diferentes. É como uma enorme centopéia com dúzias de pares de pernas em seu interior. Lá dentro o mundo se divide em dois: os que chegam e os que vão. Os que chegam, devorados pelo monstro metálico, fazem seus o caminho dele. Aos que vão, a curta liberdade aparente de seguir com os próprios pés até que finde o dia e novamente sirvam de aperitivo à um outro monstro. O mundo de cá é separado do outro por uma "borboleta". Acreditem-me, uma fria e descolorida borboleta de aço. Suas asas prateadas giram tantas vezes quanto se lhe desafiem, arremessando impiedosamente ao estômago do monstro apressados andarilhos, essas silenciosas vítimas do Caos Urbano. O monstro. Um grande organismo pulsante em meio ao concreto, suor e aço, feito de tique-taques apressados, borboletas frias, idas e vindas. Já comprou seu ticket?
Texto: Régis Falcão
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Escrito por F. Reoli às 13h43
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Foto: Fábio Reoli
Esse maldito movimento caótico que me desencadeia náuseas até na alma. Me irrita este veículo de locomoção desordenada, igualmente como as ruas de mesmo aspecto por onde rasteja. As ruas influenciam o ônibus, o ônibus faz parte das ruas, as ruas fazem parte da cidade, a cidade faz parte do meio, eu faço parte do meio. Meros enfeites no mesmo cenário miserável de todo dia. Pela visão em constante mudança da janela, só vejo a decadência, a discórdia. A mesma impressão de que estamos pré-destinados ao Inferno. Os relógios só servem para contar os dias para o fim do mundo. Estas pessoas que me cercam, meus semelhantes, sinto o odor errante que exalam. Dilacera minhas narinas. Sei que atrás de cada face, atrás de cada sorriso, comentário ou gentilezas; sei que existe feras horrendas e cruéis, movidas por impulsos, apenas aguardando um momento de fraqueza para atacar e se nutrir da força que carrego. Medo, insegurança - fisga a atenção. Os tentáculos do meio que tentam me absorver. Me iludo, digo que sou um caso à parte, um peixe contra a correnteza, um pequena planta radiante em vida no meio dos campos cinzentos onde a ceifa da morte caminha. Me iludo, mas não passa de alucinação. A verdade é que tudo isso faz parte de mim. E eu faço parte do ciclo, eu o completo, o mantenho em funcionamento, uma das fontes de energia renováveis que mantém o gerador funcionando, a carne servida diariamente aos cães de caça. Uma partícula deteriorada que compõe a célula morta. Questão de sobrevivência. Eu não poderia chegar ao meu destino sem o ônibus. O meio precisa de mim, eu preciso do meio. Trocamos fluidos, mantemos as pulsações vitais um do outro. Por esta causa revolucionários vivem pouco. Preciso continuar tento uma utilidade. O meio precisa de mim, o meio precisa de todos nós. E vice-versa.
Texto: Caio Tadeu de Moraes
http://contosdeinsonia.blogspot.com/
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Escrito por F. Reoli às 18h47
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Foto: Fábio Reoli
hora do rush inglês num português o busão ferve tem gente que passa mal o fedor cresce, aborrece... mas tem clima de carnaval numa fenda num silêncio mental cheiro de menta e o busão vai...
Texto: Solange Mazzeto
http://solemazzeto.wordpress.com/
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Escrito por F. Reoli às 18h45
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Amanhece. Conhecemos de cor o caos e o cinza que a cidade veste. Transporte coletivo, rostos miscigenados, andança sem fim. Incontáveis caminhos: periferia, Centro, Jardins. E a cidade, nos conhece?
Texto e foto: Fábio Reoli
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Escrito por F. Reoli às 11h53
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Foto: Fábio Reoli
Agora são dezoito horas, quarenta e três minutos em São Paulo, a chuva castiga a cidade tornando o trânsito caótico. As pessoas que saíram a pouco do trabalho só desejam chegar em casa o mais rápido possível, estudantes querem chegar a tempo para as aulas e mais uma infinidade de pessoas dispostas a quase tudo (algumas até dispostas a tudo) para honrarem compromissos. Eu sou expectador e coadjuvante de mais uma luta diária por algo que deveria ser banal, acompanhando os contrastes da modernidade e evolução que pretende melhorar nossas vidas, mas também cria novos problemas. Dentro do ônibus vejo impaciência e angústia, mas também pessoas que escolhem permanecer de bom humor como um senhor que na parte frontal do ônibus fazia papel de maestro regendo os passageiros e provocando risos quando, por diversas vezes dizia: "A chuva parou! Vamos abrir as janelas!" e alguns minutos depois: "A chuva voltou! Vamos fechar tudo de novo!" E também o motorista que chegou perto de um ponto, mas impossibilitado de chegar se aproximar da calçada, abriu a porta e começou a falar para uma senhora que aguardva no ponto: "Fique aí, não precisa sair na chuva que eu vou encostar o ônibus no ponto". Mas a senhora saiu do ponto e veio tomando chuva até o ônibus. Ao entrar o motorista falou: "A senhora é muito teimosa, eu falei para esperar, daí não se molhava!" Ela sorriu e disse: "O senhor que é muito bondoso, não precisava tanta preocupação. Merece até um presente, que lhe trarei no fim do ano...do que o senhor gostaria? O Motorista sem nem precisar pensar respondeu: "A senhora também é muito bondosa, pode me trazer uma caixa de fósforos para eu colocar fogo nesse ônibus!"
Texto: Frank Saiu, Q SE FLOG
http://qseflog.blogspot.com/2008/06/catstrofes-modernas.html
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Escrito por F. Reoli às 17h11
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Foto: Fábio Reoli
Gélido, frio, exaustão, medo, angustia. Entra e sai...entra e sai. Passa, amarra, prende. Tem gente, tem jeito. Corre. A maca, a porta, a morte, o balanço da UTI.
Texto: Ana Pallito
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Escrito por F. Reoli às 17h08
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Foto: Fábio Reoli
O amor tem dessas, ela detesta o pijama de listras verdes e azuis, acha triste ter que dormir com um homem assim, preferia ver seu corpo apenas coberto pela cueca slip branca, limpa, trocada após o banho que serve para terminar o dia. Ela queria que ao invés de flores, ele a levasse para sair, mas não longe, e sim apenas andar pelas ruas, de mãos dadas, nada de champanha ou vinho, apenas uma conversa a sós, mas na rua, talvez tomando sorvete, talvez até ela deixasse cair um pouco na calça para saber a reação dele. Ela queria descer duas ou três quadras de casa, sem se preocupar com a hora, comer pizza com a mão, e ele achar um charme a mão cheia de gordura e a boca, e todo o restante... Só assim ela diria ser feliz, nem que seja por instantes, que se pareceram eternos, por instantes que poderiam ser em qualquer lugar do mundo, desde que fosse ali por perto Ela queria sair, mas não para longe, mas ali, tão perto... seguro, seu lar.
Texto: Cristiano Ricardo
www.l-gance.com
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Escrito por F. Reoli às 10h45
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Foto: Fábio Reoli
Na esperança de não perder a direção corro apressada sinalizando... também vou, dá uma chance! Sonhando em chegar ao meu lugar sempre atrasada, sempre contente trabalho, insistentemente Nunca desisto, quero chegar! Felizmente, ele parou! Junto comigo, outros viajantes ansiosos, empurrando, investindo... lutando pra viajar! Me agarro fortemente e o balanço insistente ameaça me abandonar... Nem adianta tentar! Sei onde quero chegar!
Texto: Luiza Helena
http://luelena.blogspot.com/
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Escrito por F. Reoli às 14h22
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Foto: Fábio Reoli
É vida, é chão, é céu, é suor, é olhar para trás sem virar, é sexo sem falar, é mão que se encosta, corpo que se roça, é espaço para não cair, e pare pra não correr, luz para não cegar. No ferro de se apoiar, preço certo de ida e aluguel para se pichar (e pagar). E eu fico aqui, de pé, vendo pernas assanhadas e a cadeira que tu nem pode sentar.
Texto: Maurizio Bersani
http://meusinstantesemeusmomentos.blogspot.com
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Escrito por F. Reoli às 12h33
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Foto: Fábio Reoli
Enquanto vivia num relacionamento insatisfatório, busquei emoções em transportes lotados... Mãos, pés e corpos se tocando "acidentalmente" me faziam entrar em contato com minha parte humana, ainda viva e carente que desejava, sentia e clamava atenção...
Texto: Luiza Helena
http://luelena.blogspot.com/
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Escrito por F. Reoli às 16h11
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Foto: Fábio Reoli
Naquele dia resolveramos fazer a metamorfose ideal. A ideia fora de Maria Ana que sofria do sindrome dos afagamentos. Eu ao centro, rectilínio como deve ser um chefe, Maria Ana à minha esquerda, Ana Maria à direita, gémeas, minhas irmãs, curvilínias vestidas, como deve ser a feminina condição. À partida, o plano era primoroso; olharíamos de cima para baixo a nossa espécie, dar-nos-ia vantagens; situados perto dum céu cinzento esbranquiçado, um pouco afastados das terrenas carnes, disfarçados nas formas suspensas e de sustentação. Maria Ana justificava ( para proveito próprio) o plano, afirmando que a excelsa comunicação dos humanos está nas e com as mãos Em termos práticos seria agarrada, afagada por inúmeras mãos ao longo das “viagens”. Ana Maria tinha horror ao contacto masculino mas aceitou o desafio por ser gémea de Maria Ana. Eu não comprendia os extremismos de cada uma delas. Por ser um bisexual ser, concordei com o plano. O plano seria o estudo da complexidade antroposocial excluindomo-nos da nossa própria visão da Sociedade. Permitiria talvez uma melhor compreensão da realidade. Ana Maria lembrou-nos ainda de que uma teoria não é o reflexo do real. Nada a fazer. Os três embalámos plano fora. Cinco horas depois continuávamos sós naquela carruagem que nem se movera, nem viva alma aparecera. Soubemos pouco depois e pelo diálogo dos dois homens da limpeza ( nem sequer para nós olharam) que havia uma greve no metropolitano. Não haveria afagos naquele dia. Outro dia tentaríamos de novo.
Texto: Kim da Magna ( Angola )
www.kimangola.blogspot.com
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Escrito por F. Reoli às 11h22
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Foto: Fábio Reoli
Pare de pintar meus dias de vermelho se paixão não me acolhe. Pare de gozar minha dor sem prazer na ausência sua. Pare de viajar na humilhação das ruas noturnas e vazias. Pare de rotular as idas e vindas repletas de mediocridade. Pare de sinalizar mágoas enquanto não sou sua. Pare, apenas pare.
Texto: Márcia Clarinha
http://brincandocomclarinha2.blogspot.com
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Escrito por F. Reoli às 14h03
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Foto: Fábio Reoli
De cara desnuda Corpos mudados Vestes lacrados Com quase nada estampado
Entram e saem Em ritmo leve e acelerado Passos fortes e devagar Cenas de um filme qualquer
Rotina Rotina Rotina
No mesmo lugar Mesma avenida Aquele sinal de transito Exatamente aquela esquina
O corpo ressalta As curvas e freiadas
O dinheiro não trocado A falta de ar O sol frio Que contrastam
O sinal puxado A parada brusca A chegada
Texto: Lu Rosário
http://sempudor.blogs.sapo.pt/
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Escrito por F. Reoli às 10h48
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Foto: Fábio Reoli
Queria descer daquele ônibus. Assim como deseja descer da monotomia da sua vida. Não queria passar pela vida, queria ficar. Precisava descer. Em vão, tentava apertar o botão para parar. O motorista seguia como se tivesse autonomia para decidir sua vida por ela. E tinha. Tonta, transtornada, percebeu que ficar lhe matava. Resolveu pular daquele ônibus, pular da mesmice. Era melhor terminar com joelhos e braços ralados do que ver a vida passar.
Texto: Polly Sapori
http://cremdeuspai.blog.terra.com.br
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Escrito por F. Reoli às 10h45
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Foto: Fábio Reoli
Constatada a morte da mãe-educação, cuja "causa mortis" é o descaso de autoridades e sociedade, percebemos que três de seus filhos - a solidariedade, o respeito e a cidadania - perambulam à pé pelas ruas, rotos e maltrapilhos, totalmente esquecidos. Diz o aviso: "Assento reservado...", mas os únicos passageiros que costumam freqüentar este assento são o egoísmo, a ignorância e a preguiça. Nos coletivos, esqueceu-se o coletivo. Só há o eu e o agora. São centenas de umbigos ensimesmados, atropelando-se, xingando-se, matando-se pouco a pouco. A morte da mãe-educação transformou-nos em bichos que falam. Só isso.
Texto: Altavolt
http://altavolt.blig.ig.com.br/
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Escrito por F. Reoli às 11h44
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Foto: Fábio Reoli
Na dureza da matina de uma segunda-feira. Na superlotação de trabalhadores sonolentos e mal-humorados. Diante da aspereza do cobrador, também sonolento. Apenas aquele belo par de pernas deu-me a certeza de que há poesia em todos os cantos. Em todas as situações há a possibilidade de sonhar com um pouquinho de felicidade. Não fosse por aquelas deliciosas pernas e eu teria apenas passado por mais uma madrugada sofrida e sem vida!
Texto: Altavolt
http://altavolt.blig.ig.com.br/
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Escrito por F. Reoli às 12h42
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Foto: Fábio Reoli
ônibus/ omnia de cheiros, suores e desejos/ atritos de peles/ universo de sonhos/ a viagem nunca a mesma/ o destino talvez/ a partida nunca/ mistério/ o inferno tem rodas?
Texto: Yehuda Ben Elin
http://yehudabenelin.blogspot.com
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Escrito por F. Reoli às 13h17
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Foto: Fábio Reoli
Retro Visor/Do banco de trás/Eu vejo uma parte do seu rosto/Amassado de sono/Finas rugas descem pelo canto do olho/Só agora isso eu percebi/Vendo-o sem que você me veja/Perto somente as suas costas/Seu rosto oscila no movimento/Eu vejo o reflexo/Do que você foi quando amor
Texto: Bianca Rosolem
http://mothel.blogspot.com/
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Escrito por F. Reoli às 13h02
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Foto: Fábio Reoli
nas alças vôos mais altos enforcam feriados sonhos pendurados balançam viajo só amanhã!
Texto: Carito
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Escrito por F. Reoli às 12h55
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Foto: Fábio Reoli
Mãos quentes e suadas no fim do dia. A mistura de quem pegou na comida, no cimento, no dinheiro, no teclado, na caneta, no telefone, nos cabelos, nas bocas, nas privadas, ou de quem simplesmente passou o dia coçando o saco, não importa! Neste momento, são todas iguais, juntinhas, com o mesmo objetivo: não cair no busão!
Texto: Ju Wolfenson
http://juwolfenson.zip.net
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Escrito por F. Reoli às 12h31
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Há sombras me perseguindo pelos cantos dos poros. Sopram meu nome, arriscam tocar meu rosto e me afagar a nuca, às vezes estremeço e gemo quase inaudível ao contato dessas mãos de gaze - gemido quase-desespero, quase-solidão, quase-prazer, quase-entrega, quase-gemido. Quase-quase. Que não se deixem enganar, sou esquiva, dissimulo bem a submissão. Escapo, ainda que por um triz, dessa escura captura, e sigo o caminho do sol.
Texto: Flávia B.
http://sabe-de-uma-coisa.blogspot.com
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Escrito por F. Reoli às 02h27
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Foto: Fábio Reoli
Alabama, chetchup, chicletes de hortelã. Passavam todas as imagens em minha cabeça. Todas e elas sumiram com a estalido que fez a porta do ônibus quando abriu. Alabama, eu me imaginava lá, tomando sol e vendo garotas sorridentes com bochechas rosadas. Todas correndo como doidas, felizes em irem a lanchonete para devorarem volumosos hot dogs com chetchup. Então entra aquela garota de pernas grossas, linda. A barriga da perna forte como aço, roliça. Entrou e parou na roleta. Fiquei ali olhando, observando suas pernas de seis da manhã, indo para o trabalho. Um trabalho que parecia ser fodido. Umas pernas daquelas, e eu só tinha chicletes de hortelã para oferecer.
Texto: Emerson Wiskow
http://www.wiskowcontos.blogspot.com
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Escrito por F. Reoli às 02h24
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Foto: Fábio Reoli
Com a cabeça entre os braços, olhava o chão e podia ver seu próprio corpo ali, estirado na escada, sendo pisoteado. Era assim, dia após dia, mais ainda no rush. Pensava que seu corpo, no segundo de três degraus, estava sob a tênue linha que separa o prazer da dor. Era assim: um degrau acima, o prazer. Um degrau abaixo, a dor. E onde dóia mais, onde doía menos?
Texto: Samantha Abreu
http://samanthaabreu.blogspot.com
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Escrito por F. Reoli às 12h11
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Foto: Fábio Reoli
Safadinha e "fiel" pegava o ônibus todos os dias ao meio-dia. Adorava a sensação do aço frio quando passava a catraca e também o olhar do cobrador em suas "carnes" quentes. Na rotina de levar a marmita do almoço para o marido motorista e sempre sonhando em dar a sobremesa para o cobrador, enlouqueceu.
Texto: Yumi Yasuda
http://perversuscontus.blogspot.com
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Escrito por F. Reoli às 18h49
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Foto: Fábio Reoli
Coletivo, lata de sardinhas, apalpação na retaguarda, gozação tamanho coelho na cueca, homem com mão no bolso se masturba a jato, mulher encosta a bunda esfrega a xirica na pica, o troco nunca tá certo, o punguista te alivia da graninha, quando ainda em boa forma dava porrada no motorista abusado, velho deixei de usar coletivo é melhor fugir do castigo coletivo de estranhos no ninho, de casa pro trabalho é um puta caralho, o dia inicia no Guantanamo humano, termina com as orbitas vazadas, cada onibus incendiado eu aplaudo, não ando mais nessas carroças do inferno nem de graça, sou passageiro do táxi no Rio de Janeiro, é o transporte educado, senhor passageiro boa viagem!
Texto: Yehuda Ben Elin
http://yehudabenelin.blogspot.com
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Escrito por F. Reoli às 18h41
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Foto: Fábio Reoli
Não sente/ consente/ não concebe privar assento que não é seu/ é vosso deficiente que sois/ impossibilitado não corre no dia da cidade/ morre cansado sem dor/ a flor da pele murcha de desamor/ senta amigo que o lugar é seu/ eficiente és.
Texto: Márcia Clarinha
http://brincandocomclarinha2.blogspot.com
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Escrito por F. Reoli às 18h37
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Foto: Fábio Reoli
Suspensa...era assim que se encontrava, cercada por rostos anônimos e tão iguais. Tinha os pulmões sufocados por fumaça de óleo diesel, poeira de asfalto e solidão. Não respirava, tinha se engolido junto com os seus sonhos; ao invés de sapatilhas seus pés calçavam apenas o roxo das pisadas que recebiam, o corpo de baile - todos aqueles corpos suados que a empurravam de um lado para outro, sua música - os barulhos do motor. E ela seguia viagem, repartindo suas mãos em garras, tentando se equilibrar dentro daquele velho ônibus, o único palco que restou nesta vida, para sua alma bailarina.
Texto: Layla Lauar
http://ressacadihomii.blogspot.com
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Escrito por F. Reoli às 18h34
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Meu destino numa putaquepariu... Todo dia duas três horas, seis dias por semana, o ano todo sem folga, apertado neste latão. Rodeado de rostos vazios sem expressão nem significado, de quem morreu faz tempo e não foi avisado. Comentários sobre o tempo, sobre a demora, sobre a falta de educação de quem se rebela. Todo dia eu olho para essas alças de putaquepariu e penso num jeito de passar minha cabeça por uma delas, e deixar que a pressão de uma freada mais forte me alivie como Deus não faz. Todo dia a mesma merda, e se a putaquepariu não me libertar, pelo menos vou dar assunto para esses coitados conversarem por uma semana.
Texto: Gustavo Martins
http://minicontosperversos.blogspot.com
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Escrito por F. Reoli às 13h35
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Mãos que seguram um destino/ Que vão e vem/ Alisam, amaciam, acariciam/ Apanham e batem no dia-a-dia/ Dão e recebem/ Sofrem/ Fazem alegres/ Buscam fortes ou frágeis/ Tentam, desistem, conseguem/ Fortificam, enfraquecem/ Escrevem, fotografam, pintam/ Inspiram, se inspiram/ Seguram para não cair/ Oferecem apoio/ Incentivam/ Mostram caminhos/ Seguem caminhos/ Percorrem corpos/ Provocam desejos/ Se dá prazer/ Entrelaçam/ Soltam/ Abraça mãos..../seguem seu destino.
Texto: Paula Barros
http://pensamentosefotos.blogspot.com
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Escrito por F. Reoli às 13h15
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Foto: Fábio Reoli
AVISO AOS USUÁRIOS
"em kaos de emergência / acaso haja em emergência /
e só mesmo em caso de emergência /
por favor: o último que sair, acenda a luz."
Texto: Marcos Pardim
http://mslppardim.blog.uol.com.br/
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Escrito por F. Reoli às 13h06
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Foto: Fábio Reoli
Retrovisores coloridos/motoristas enlouquecidos/pedestres suicidas/passageiros sem saída/ stress, caos, buracos.../Cidade desplanejada/tensão multiplicada/urbanidade perdida/sociedade desenganada/buzinas, fumaça, semáforos.../Poluição entupindo coronárias/artérias pavimentadas/ sangrando óleo diesel./Motor que só pega no tranco/e a impaciência de quem enxerga a vida/em preto e branco...
Texto: Frodo Oliveira
http://frodooliveira.zip.net
A mostra fotográfica virtual completa pode ser vista em
http://maternidadedotexto.zip.net
Escrito por F. Reoli às 00h07
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